Brasileiro é arrastado nas ruas de Kiev sob acusação de terrorrismo.
O brasileiro Rafael Lusvarghi, de 33
anos, que estava em liberdade após ser preso em 2016 na Ucrânia por
terrorismo, voltou a ser preso na última terça-feira (8) em Kiev, na
capital do país. Ele estava escondido em um mosteiro quando foi
descoberto por nacionalistas ucraniano que o arrastaram à força pelas
ruas de Kiev. Os homens envolvidos na ação gravaram vídeos agredindo e
humilhando o paulista.
“Todos sabiam que o Rafael corria risco estando em liberdade,
principalmente nas ruas da capital“, afirmou ao programa Fantástico, da
Rede Globo, Daniel Cândido, advogado de Rafael no Brasil.
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Entenda o caso
A trajetória internacional do brasileiro teria começado aos 18 anos,
idade em que Lusvarghi ingressou para a Legião Estrangeira Francesa
(organização militar formada por combatentes de diversas
nacionalidades). Após a experiência, o paulista passou pela Polícia
Militar de São Paulo e pelo curso de formação de oficiais da Polícia
Militar do Pará.
Em 2010 ele teria se mudado para a Rússia para estudar Medicina,
conforme relatado na reportagem. Em 2014, foi preso duas vezes no Brasil
durante as manifestações contra a Copa do Mundo, tendo sido liberado em
ambas as ocasiões. Na sequência ele teria se mudado para o leste da
Ucrânia, a fim de lutar em tropas separatistas, contra o governo do
país.
Após divulgar seus vídeos de treinamento na internet, Lusvarghi se
tornou um rosto conhecido e odiado pelos nacionalistas ucranianos. Com o
fim da guerra, após a assinatura de um cessar-fogo, o paulista voltou
ao Brasil. Porém, já em terras brasileiras, ele teria recebido uma
proposta para trabalhar em um navio no Chipre, razão pelo qual alega ter
voltado a deixar o país.
O voo até Chipre, pago pelo contratante, fez uma escala na Ucrânia,
onde ele foi detido pelo serviço de segurança ao desembarcar do avião,
sob a acusação de terrorismo. A reportagem questiona se o convite se
tratou de uma coincidência ou armadilha para o brasileiro.
Julgamento
Em tribunal, Rafael Lusvarghi declarou que resolveu lutar na Ucrânia a
pedido de conhecidos, para ajudar o povo daquela região. Ele reconheceu
que cometeu um grande erro e disse estar pronto “para cumprir a
sentença que o tribunal determinar”.
Condenado a uma pena de 13 anos, ele ficou pouco mais de um ano de
prisão e alegou ter sido torturado no presídio onde estava. O paulista
deixou a prisão após ser decidido que o tribunal que o julgou em Kiev
não poderia julgar casos ocorridos no leste da Ucrânia.
Liberdade
Após ser solto, o paulista se converteu ao catolicismo ortodoxo russo
e buscou abrigo em um mosteiro da capital, onde morou por meses. Lá ele
foi descoberto por jornalistas locais e por isso resolveu procurar a
ajuda do Itamaraty, que afirma ter providenciado, já no dia seguinte,
uma pousada para hospedá-lo.
Porém, no caminho entre o mosteiro e a pousada ele foi surpreendido
por nacionalistas ucranianos e submetido ao linchamento nas ruas de
Kiev. Lusvarghi foi levado à força para o serviço secreto ucraniano,
sobre acusações de “assassino” pelos seus linchadores. Sua prisão foi
decretada na última terça-feira (8) por 60 dias, enquanto o brasileiro
aguarda um novo julgamento.
Impedido de voltar ao Brasil
“Ele não tinha nenhuma obrigação de permanecer na Ucrânia, mas não
pôde voltar para casa porque tanto a Embaixada do Brasil quanto o
Governo da Ucrânia Valentin Rybin, advogado de Rafael na Ucrânia, em
declaração reproduzida pelo Fantástico. O advogado afirma que o
brasileiro foi libertado por um acordo entre governo e representantes
dos grupos separatistas em troca de outros prisioneiros.
“Se nos dissessem ‘ele pode deixar o país', teríamos com muita
alegria emitido esse documento de viagem. Mas o que aconteceu foi que
recebemos a resposta que ele não poderia deixar o país”, explicou Luiza
Lopes da Silva, diretora do Itamaraty, também ouvida na reportagem. Ela
acrescentou que o julgamento inicial foi anulado por uma questão
meramente processual, mas que o paulista não havia sido inocentado.

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