A Argentina e o caminho da servidão
Em artigo para O Povo, Fábio Campos trata dos caminhos que levaram a crise econômica argentina.
Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br
A Argentina foi ao FMI. Quando ocorre tal necessidade é sinal de que
as coisas não vão nada bem na economia. Mas, o que há com a Argentina,
um país que manteve ao longo de muitos anos as melhores condições na
América Latina de se diferenciar? Ora, não há país que resista a anos e
anos do nacional-populismo. Basta ver o Brasil de hoje. Como lembra o
economista Lauro Chaves Neto, até os anos 1950, a Argentina era a sexta
maior economia do mundo, escolarizada e com indústria forte. “As causas
da decadência são muitas. O economista Friedrich Hayek chamava isso de
caminho da servidão: um processo lento e gradual de coletivização,
polarização da sociedade, intervencionismo estatal e populismo”. Não por
coincidência, dos anos de 1950 para cá, o País foi dominado pelo
populismo. Primeiro de esquerda (Peron), depois de direita (militares) e
a seguir uma longa sequência peronista que culminou com o casal
Kirchner. A pá de cal. Hoje, Maurício Macri, político fora das hostes
peronistas, faz imenso esforço, certamente com erros e acertos, para dar
outro rumo ao País. Do jeito que está, a tarefa de se reeleger nas
próximas eleições, marcada para 2019, ficou muito difícil para Macri.
Não duvidem se a velharia peronista retomar o poder. Só nos restará
chorar pela Argentina.
A AUSTERIDADE COMO OBRIGAÇÃO
As crises na economia são cíclicas. É clássico. De tempos em tempos, a
humanidade convive com ondas de desenvolvimento entrecortadas por ondas
de marasmo econômico ou recessão. Porém, desde a recessão de 1929, os
avanços no domínio das técnicas macroeconômicas tornaram as crises cada
vez menos impactantes. O que a técnica não consegue controlar é a
irresponsabilidade de governantes que se entregam ao populismo, ao
estatismo, ao descontrole dos gastos, à negligência fiscal e à
ideologização da economia. São características que hoje ainda sobrevivem
com mais ênfase na América Latina. Na Europa, há problemas similares,
mas em escala inferior. Por lá, esquerda e direita se intercalam no
poder. A esquerda entra, aumenta os gastos públicos e desorganiza a
economia. A popularidade advinda vira pó. Na eleição seguinte, a maioria
recoloca a direita (ou os liberais, como queiram) no poder para
reorganizar a economia. No comando da economia, os liberais reinstauram a
austeridade, corte de gastos e organização fiscal, que são sempre
impopulares. O suficiente para a esquerda retomar o poder na eleição que
se segue.
A Alemanha é a exceção. Portugal é um caso peculiar. Com o País
mergulhado na crise econômica após a farra socialista, a população
chamou a direita para colocar ordem na casa. E isso foi feito. Não sem
imenso desgaste.
Mesmo assim, a direita obteve a maioria dos votos populares, mas
perdeu o comando do país por causa de uma inédita coalização parlamentar
entre os socialistas e a esquerda. Lá, o arrocho e as políticas de
austeridade da direita criaram as condições para o crescimento da
economia. Em função disso, a coalizão de esquerda vive uma fase de
grande popularidade. O que há de peculiar é o seguinte: a esquerda
portuguesa parece ter entendido que o fator de inteligência na condução
da economia é a austeridade. Não se gasta mais do que se arrecada.
Simples.
AS GRADES NA BARÃO DE STUDART
No Ceará, a tarde de sexta-feira trouxe boa notícia para Camilo
Santana (PT). Após meses de índices crescentes, abril apresentou uma
pequena queda de 2,6% na quantidade de homicídios em relação ao mesmo
mês do ano passado. Mesmo com números absurdos, casos os índices se
mantenham em queda nos meses seguintes, o governador terá o que
comemorar justamente durante a campanha eleitoral. Na última
terça-feira, Camilo cometeu um erro primário. Deu de ombros para um
protesto organizado por familiares e amigos de cidadãos assassinados em
Fortaleza. Pior, fechou a via defronte ao Palácio da Abolição para uma
passeata que reunia no máximo umas 200 pessoas. Uma sugestão para esses
casos: envia-se um negociador para conversar com o comando da
manifestação, convida-se uma comissão representativa dos familiares e
coloca-se um assessor graduado para receber o grupo. Fechar a Barão de
Studart a quem sofre tamanha dor não é atitude inteligente. Muito menos
civilizada. Com a falta de um gesto, a única coisa que Camilo conseguiu
com as grades na rua foi inflamar mentes e corações de milhares que se
sentem reféns da violência.

Nenhum comentário:
Postar um comentário