Há pouco menos de três meses para o fim do prazo definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para criação das federações, as disputas regionais estão impedindo o avanço das negociações entre as legendas.
Pelo menos 12 partidos discutem o assunto, mas a obrigatoriedade de uma atuação conjunta até 2026 e indefinição do poder de cada legenda dentro da federação está dificultando a formalização de acordo em alguns casos.
Entenda o assunto
A lei que criou as federações partidárias foi validada na última quarta-feira (8) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. A legislação aprovada pelo Congresso estabelecia a formação até a data final das convenções, mas o magistrado ficou o prazo de seis meses antes das eleição, marcada para outubro deste ano, como data-limite para que as siglas oficializem a união.
A decisão ainda será submetida ao conjunto da corte e deve ser julgada na próxima sessão virtual do tribunal.
Diferença coligações e federações
Ao contrário das coligações, que os partidos se uniam apenas para disputar a eleição e depois não tinham nenhum compromisso entre si, nas federações os partidos que a compõem são obrigados a atuar de forma unitária nos quatro anos seguintes, nos níveis federal, estadual e municipal, sob pena de sofrerem várias punições.
Federações partidárias em negociação (Folha de S. Paulo)
A edição deste domingo (13) da Folha de S. Paulo detalha o processo de negociação e federações partidárias que podem sair do papel.
PT/PSB/PV/PC do B
Prós
Há uma disputa sobre o peso de cada partido no controle da federação. O PT quer divisão proporcional às bancadas. O PSB trabalha para reduzir o poder do PT na federação
PT e PSB divergem sobre candidaturas em alguns estados, em especial São Paulo.
Como a federação tem que se manter até 2026, há projeção de novos conflitos nas eleições municipais de 2024
PSOL/Rede
Prós
Legendas se fortaleceriam no bloco da esquerda a não ficarem isoladas diante de uma possível federação liderada pelo PT
A união ajudará a Rede a superar a cláusula de desempenho, o que o partido dificilmente conseguirá cumprir se ficar isolado
Contras
Há divergências entre os dois partidos sobre palanques estaduais na eleição de outubro
O PSOL deve apoiar a candidatura de Lula, mas na Rede há resistências
MDB/PSDB
Prós
União fortaleceria eventual candidatura presidencial da federação. Há dois nomes colocados, o de João Doria (PSDB) e o de Simone Tebet (MDB)
A federação entre os dois partidos também tende a fortalecer a eleição de uma bancada mais robusta de deputados federais, ponto prioritário para os partidos
Contras
MDB estaria mais inclinado a discutir uma federação com o União Brasil
Um dos dois pré-candidatos à Presidência, Doria ou Tebet, teria que abrir mão da disputa
Há divergências em palanques regionais que dificultam a aliança
União Brasil/MDB
Prós
União fortaleceria pré-candidatura de Simone Tebet (MDB), já que a União Brasil tem a maior fatia da verba eleitoral e do tempo de propaganda na TV e rádio
A federação entre os dois partidos também tende a fortalecer a eleição de uma bancada mais robusta de deputados federais, ponto prioritário para os partidos
Contras
Partidos têm entraves em palanques estaduais e a própria União Brasil enfrenta uma série de disputas internas em decorrência da fusão de DEM e PSL
Partidos enfrentam cicatrizes da disputa pela presidência da Câmara, quando o presidente do MDB Baleia Rossi foi derrotado após debandada de aliados do DEM
Cidadania/Podemos ou PSDB ou PDT
Prós
Cidadania precisa da federação para ampliar sua chance de superar a cláusula de desempenho
Em relação à afinidade política demonstrada nos últimos anos, a maior proximidade do Cidadania é com o PSDB
Contras
Partidos têm entraves em palanques estaduais que dificultam a aliança
Fusão com o PSDB pode resultar na desfiliação do único governador do Cidadania: João Azevêdo, de Paraíba.
Fonte-cn7.com.br
Blog Nilson Técnico Bosch Informa;
Nenhum comentário:
Postar um comentário