quinta-feira, 25 de março de 2021

Crise na saúde: Centrão ameaça Bolsonaro com o "impeachment".

 

por-Egídio Serpa.


Presidente da Câmara fala em "remédios políticos amargos", se o Ministério da Saúde não melhorar a gestão da pandemia. E mais: 1) Crise poderá impedir aprovação das reformas; 2) Dessalinização: energia poderá vir do mar.


Artur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, mandou ontem para o presidente Jair Bolsonaro um recado contundente e ameaçador. Em outras palavras, ele disse: ou o governo endireita (sem trocadilho) sua gestão, principalmente na condução da crise pandêmica, ou o Congresso Nacional utilizará “remédios políticos amargos”.

Tradução: Na linguagem do Centrão, o discurso de Lira, feito de sua cadeira presidencial no plenário da Câmara,   pode ser traduzido como uma advertência de que, se a gestão do Ministério da Saúde não melhorar no curtíssimo prazo, com a redução do número de mortes pela Covid-19 e a aceleração da vacinação da população, o “impeachment” de Bolsonaro entrará na pauta do Congresso Nacional. 

Mas, antes do impedimento do presidente, haverá o do ministro da Economia, Paulo Guedes, cujo sonho de aprovação das reformas tributária e administrativa, neste 2021, parece ter ido para o espaço junto com o resultado da 1) falta de coordenação da política de enfrentamento da Covid-19; 2) falta do gerenciamento do Programa Nacional de Imunização; 3) falta de vacinas; e 4) falta de articulação com os governadores.

A ameaça de Artur Lira, que é o coordenador do Centrão, agrupamento de partidos de ideologia fisiológica, acostumados ao toma lá, dá cá, chega justamente na hora em que parece haver a tempestade perfeita: baixa popularidade do presidente da República, caos na saúde, inflação em alta, empresários rebelando-se contra a inação do governo, oposição e mídia castigando o presidente durante as 24 horas do dia.

Sem as reformas tributária e administrativa, ruirá o esforço da equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, que sonha com o reajuste das contas públicas, para o que deseja impor uma política fiscal austera, a começar pela reorganização da máquina da União, velha, caríssima, ineficiente, algo que não cabe mais no mundo moderno e tecnológico de hoje.
 
Guedes quer, com a reforma administrativa, por fim aos direitos e absurdos adquiridos pelo funcionalismo público federal, que tem supersalários, gratificações, férias de 60 dias e outras vantagens que 95% do trabalhador da iniciativa privada não têm. O déficit da conta da Previdência é alto por causa dos elevados e diferenciados proventos pagos pelo erário aos aposentados do serviço público federal, estadual e municipal. 

E são as corporações do serviço público que hoje comandam a administração dos três poderes da República.

E o Centrão é não só o porta-voz, mas o operador das corporações no Congresso Nacional, ou seja, são os seus deputados e os seus partidos que viabilizam, por meio de projetos-de-lei, as benesses que não param de ser concedidas ao conjunto dos servidores, que têm estabilidade no emprego.

O discurso de Artur Lira foi avalizado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que, irritado porque sua candidata para o Ministério da Saúde não foi a nomeada pelo presidente Bolsonaro, que preferiu um cardiologista paraibano, também engrossou a posição do Parlamento contra o chefe do governo.

Há, pois, mais uma crise política, para cuja solução o presidente terá de colaborar, freando suas falas e reorientando sua gestão nos planos interno e externo – o ministro das Relações Exteriores, por exemplo, tem de, urgentemente, recolocar a inteligência e o prestígio do Itamarati a serviço do êxito do Programa Nacional de Imunização.

Os políticos profissionais – os mesmos que impedem, há longo tempo, o reordenamento das contas públicas e o efetivo combate à corrupção – estão, neste momento, a dominar a cena, para o que contam com a visível ajuda do Supremo Tribunal Federal e a cobertura da mídia.
 
Na democracia, é por meio da política que tudo se faz. Assim, torçamos para que, desta vez, os políticos conduzam o Brasil a uma serena, pacífica e correta saída para esta crise.
 
A DESSALINIZAÇÃO E A GERAÇÃO DE ENERGIA

Consumirá mesmo muita energia elétrica a primeira usina cearense de dessalinização da água marinha, a ser construída na Praia do Futuro, em Fortaleza.
 
Mas para que a usina dessalinizadora funcione, não é, nem será necessário que, ao lado dela, se implante um parque de geração eólica ou solar.
 
Primeiro, porque, ali, não há espaço para isso. Segundo, porque esses parques – já existentes ou a serem instalados – poderão localizar-se até no Rio Grande do Sul, na Bahia ou na Chapada do Apodi, no Leste do Ceará, onde, aliás, está bem perto de operar uma gigantesca usina solar de um grupo estrangeiro.
 
O Sistema Elétrico Nacional é unificado. Assim, a usina dessalinizadora da Praia do Futuro, que será consumidora intensiva desse insumo, poderá usar energia gerada em qualquer lugar do País. 

O engenheiro cearense Fernando Ximenes, da Gram Eollic, empresa que trata de energia, explica que, certamente, a futura usina de dessalinização – a ser construída e operada pelo Grupo Marquise – necessitará, além de uma subestação da Enel, de “pulmões de água, que terão de ser também construídos”, estes sim, ao lado do empreendimento.
 
Ele sugere a instalação de um parque de geração eólica “offshore” (dentro do mar, longe da praia) para aproveitar a maior intensidade dos ventos.
 
A profundidade média do mar, no litoral de Fortaleza, é de 17 metros, segundo disse à coluna um engenheiro da Cagece. 

Mas implantar torres eólicas dentro do oceano custará bem mais do que em terra firme, além do que a licença ambiental dependerá, também, da opinião técnica da Marinha do Brasil.
 
E sobre a possibilidade de a cidade de S. Paulo ser abastecida por água do mar captada e dessalinizada no litoral de Santos, Ximenes revela: a capital paulista consome hoje 24 metros cúbicos por segundo, o dobro do que consomem Fortaleza e sua Região Metropolitana.

LEITOR ADAPTA-SE AO DN DIGITAL

Um leitor desta coluna, professor de escola pública estadual, transmite, num só texto, dupla mensagem.
 
Ele diz que, mais rapidamente do que imaginou, já está adaptado ao DN digital e, mais ainda, à dinâmica desta coluna, que passou a ser, ao longo do dia, atualizada, com a inserção de novas informações e comentários.
 
Mas o leitor reflete sobre os novos tempos, principalmente a respeito do isolamento social que, no seu caso, afastado da sala de aula, tem de estar o dia todo em sua casa de sala, cozinha, dois quartos e dois banheiros, tudo abrigado sob 80 metros quadrados de área de um apartamento no bairro da Varjota.

Nesse espaço, exíguo para um casal de filho único, o caso dele, mas espaçoso para outro sem filhos, o leitor confessa que, “por decreto governamental”, se trancou com a família “para ver e ouvir o tempo passar”.
 
Antes da pandemia, ele tinha profunda divergência com sua rotina de preparar aula em casa, ministrá-la aos alunos no colégio e, “o que era pior: ir e vir de ônibus do trabalho, em Messejana”. “Tudo era muito chato e causava sacrifício”, acentua.

Hoje, as limitações impostas pelas autoridades à sua liberdade, em nome da ciência e do objetivo de salvar vidas, levam-no a descobrir a felicidade que era, antes da Covid-19, toda aquela penosa rotina do dever profissional, ao qual só se dedicam os vocacionados para a arte sublime de ensinar.

O leitor encerra assim sua mensagem:

“Concordo, plenamente, com os objetivos do isolamento social, pois, na raiz do meu trabalho, está embutido, também, a meta de salvar vidas de crianças pobres, que, sem o conhecimento, são precocemente condenadas à morte pela pandemia da violência, que tem matado mais do que a Covid”.
  
LIDE-CEARÁ DEBATE A SUSTENTABILIDADE

Hoje, às 12h30, por vídeo conferência, o Lide Ceará promoverá uma reunião dos seus associados com duas estrelas do ESG, sigla em inglês que, em português, significa Governança Ambiental, Social e Corporativa. São elas Patrícia Audi, vice-presidente executiva de Comunicação, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Banco Santander, e Fabiana Oscari-bergs, diretora executiva do Lide Alemanha. 

A reunião, cuja tema é O ESG no Brasil e no Mundo, será coordenada pela presidente do Lide Ceará, Emília Buarque. Ambas dirão como as empresas cearenses poderão fazer parte dessa tendência.

FECOMÉRCIO AJUDA OS ARTISTAS

Alô, músicos e artistas cearenses! O Sesc está dando o maior apoio às redes de supermercados e farmácias que quiserem levar seus serviços profissionais para as suas lojas. 

O Sesc criou uma programação para esses estabelecimentos, bastando que os interessados – músicos e artistas de teatro ou circo – entrem em contato com o setor de cultura de suas unidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Sobral e Iguatu e solicitar as ações via ofício. 
 
Vale destacar que ao Sesc caberá a indicação, contratação e produção de artista que se enquadre nas exigências do Decreto Estadual nº 33.980/2021, assim como o pagamento do cachê artístico, cabendo aos estabelecimentos alinhar dia e hora, bem como as contrapartidas necessárias à apresentação.  

“O Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Sesc, tem como maior missão cuidar e transformar a vida dos cearenses, e nesse período não poderia ser diferente. Vamos seguir, por meio dessa parceria com os supermercados e farmácias, levando alegria, bem-estar e esperança. Tudo, claro, com segurança e todo o cuidado que a população merece”, explica Maurício Filizola, presidente do Sistema Fecomércio.  

AÉCIO DE BOBRBA, UM LÍDER

Deixou-nos Aécio de Borba, que foi secretário de Planejamento do Ceará e, principalmente, o maior líder do esporte amador cearense e do país. 

Como presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, a seleção brasileira manteve-se por vários anos na liderança mundial desse esporte. Aécio dirigiu emissoras de rádio e foi empresário. Deixou uma multidão de amigos e admiradores que elogiavam sua lhaneza no trato com as pessoas.  

PETRÓLEO E BOLSAS

Bolsas europeias em leve queda; as dos EUA, na pré-abertura desta quinta-feira, operam em leve alta.

O preço do petróleo cai1,20% para US$ 63,64 o barril do tipo Brent. 

O mercado de óleo está de olho no Canal de Suez, onde um navio conteneiro de 400 metros de comprimento encalhou na entrada do Canal de Suez, causando um congestionamento.

Fonte-diariodonordeste.verdesmares.com.br

Blog Nilson Técnico Bosch.


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