Por que nenhum presidenciável consegue se viabilizar como alternativa a Lula?
Com o título “No cenário, a pergunta que o Datafolha não responde”, eis artigo do jornalista Guálter George, editor de Política do O POVO. Para ele, um fato: mesmo na cadeia, Lula, continua em alta e nenhum outro presidenciável conseguiu se viabilizar como alternativa ao petista. Confira:
É desafiador traçar um cenário mais definitivo sobre a campanha eleitoral que teremos no Brasil em 2018, a partir da principal informação embutida na pesquisa do Instituto Datafolha que teve os números apresentados ontem: aquele que lidera a intenção de votos de hoje da população, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, dificilmente estará com seu rosto na urna eletrônica quando o esperado 7 de outubro chegar. Sem ele, abre-se uma grande interrogação que a estratégia meio suicida assumida pelo partido torna impossível formular uma resposta que sirva para agora.
A ausência de Lula, somada à pouca disposição petista de discutir neste momento quem seria o herdeiro natural de sua força eleitoral, reafirmada na pesquisa inclusive em relação à capacidade de transferência de voto, alimenta um quadro futuro que é de incerteza absoluta. Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e os vários outros pré-candidatos com performances avaliadas pelo Instituto encontram dificuldades reais para avançarem em seus projetos eleitorais, apesar da inviabilidade jurídica quase inevitável de quem segue à frente na intenção de escolha da população. Mesmo preso, apesar de condenado.
O descrédito geral na política pode justificar uma parte da situação. No entanto, somente erros de estratégia que precisam ser corrigidos poderão explicar o fato de um pré-candidato na cadeia há dois meses, condenado a mais de 12 anos, resistir como voto preferencial do eleitor. A verdade é que ninguém está conseguindo se viabilizar como opção ou alternativa a Lula.
*Guálter George,
gualter@opovo.com.br
Editor de Política do O POVO.

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