quinta-feira, 14 de junho de 2018

Copa da Rússia - Seleção Brasileira Estrear

Seleção Brasileira pronta para estrear na Copa e Alemanha top top top.





Luiz Antonio Prósperi / direto de  Sochi, Rússia


Sochi arde nesta quarta-feira de verão russo, véspera de abertura da Copa do Mundo da Rússia. Temperatura bate ali no limite dos 28 graus de dia, 24 à noite. Todos à praia, casais novos, velhos, uma penca de crianças vermelhas como pimentões a caminho do sol. Brotam de todos os cantos do balneário de pouco mais de 500 mil habitantes ao sul da Rússia. Os trens que serpenteiam pela orla despencam banhistas a cada estação em busca de água fresca no Mar Negro. Neste cenário um tanto cinematográfico, os rapazes de Tite afinam a orquestra nos últimos ensaios. Não há mais segredo. Tite já tem o time definido, o país e a seleção nas mãos, a quatro dias da estreia no Mundial.

Todo mundo sabe que a Seleção vai ter Willian, Coutinho, Jesus e Neymar no ataque contra a Suíça, domingo, 17/6, em Rostov don. Se havia algum mistério por parte da comissão técnica, essa brincadeira acabou nesta quarta-feira (13/6). No treino fechado do time para esconder dos espiões e da imprensa, os convidados da CBF – amigos e familiares dos jogadores – revelaram mesmo sem querer quem vai jogar na estreia. Muitos deles publicaram em suas redes sociais imagens dos treinamentos e ali foi possível ver quem Tite escolheu para iniciar a travessia do Brasil na Rússia.
De nada adiantou o esquadrão anti-drone convocado pela CBF para inibir ação dos espiões no “espaço aéreo” do requintado Swissotel Resort Kamelia, quartel-general e campo de treino da Seleção em Sochi. Os agentes olhavam para o céu e não tinham como controlar o ímpeto dos familiares e amigos dos boleiros nos clics e posts do treinamento.
Se os familiares e amigos dos jogadores cometeram essa inconfidência, o que dizer do Coronel Antonio Carlos Nunes, esquentando a cadeira da presidência da CBF até Rogerio Caboclo assumir em 2019, na eleição da sede da Copa do Mundo de 2026. Nunes, o coronel, votou no Marrocos no pleito comandado pela Fifa em Moscou nesta quarta-feira. Nunes contrariou orientação da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) que havia definido voto em bloco dos sul-americanos na candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá, a vencedora (leia mais da eleição aqui).
O coronel, não muito dado nessa coisa de eleger alguém por eleição direta, imaginou que o voto era fechado – a Fifa há muito tempo decidiu pelo voto aberto. E apertou o botão do Marrocos.
Se Nunes faz trapalhadas no país da Copa, quem faz sucesso é o Canarinho Pistola, a mascote da Seleção. Um ícone da torcida brasileira, pelo menos nas redes sociais, a mascote não pode se divertir nos treinos de Tite, nem frequentar o hotel do Brasil em Sochi, nem mesmo na Rússia inteira onde estiver demarcado o território Fifa. A entidade proibiu a circulação do canarinho enfezado no espaço comercial da Copa. Ali quem manda e fatura horrores vendendo até a alma com a marca da Copa é a Fifa.
Por isso a campanha está no ar: #FreeCanarinho. Um recado dos torcedores para a liberação do Canarinho Pistola.
Jogadores da Seleção gostam da mascote. Por eles, Pistola frequentaria sem problemas o ambiente do time em Shoci e por onde o grupo passar pela Rússia na Copa do Mundo.


Canarinho Pistola não pode frequentar território Fifa na Rússia – foto: CBF
Sem o Canarinho Pistola ou não, os boleiros sabem que se levantarem a taça dia 15 de julho em Moscou vão embolsar cerca de R$ 3,5 milhões cada um. Prêmio a ser pago pela generosa CBF.
Habitantes de Sochi não têm a menor ideia do que essa premiação significa no Brasil. A maioria quer mesmo é desfrutar desse verão. Aqueles mais apegados aos rapazes de Tite tiveram o privilégio de acompanhar o treino aberto da Seleção no Estádio Municipal de Sochi nesta terça-feira (12/6). Cerca de 4 mil desses fãs tomaram as acanhadas arquibancadas do estádio para vibrar e tietar os jogadores. Neymar, o mais requisitado. Alguma dúvida?
Na parte da cidade que não quer saber nada dessa história da Seleção, digamos a maioria, a vida segue sua rotina. Com ou sem Copa, a segurança é prioridade nas estações de trem, por exemplo. Não se passa por uma catraca sem antes deixar seus pertences, mochilas os mais visados, no raio-x e no controle anti-bomba no corpo.
Nas ruas, nada é muito ostensivo por enquanto. Quase nada da Seleção Brasileira orna a cidade. Nem mesmo de Portugal e Espanha que se enfrentam nesta sexta-feira em Sochi.


Sochi vai à praia celebrar verão de 2018 e deixa Copa de lado – foto: reprodução Twitter
Aliás o balneário, sede dos Jogos Olímpicos Inverno de 2014, quer viver o sol com prioridade até torrar a pele. Vale tudo para chegar ao mar. Até perder tempo no caótico trânsito na região mais central. Há uma profusão de ônibus, carros e, claro, táxis, um engarrafado atrás do outro.
Em um desses táxis, conversei por mímica e escassas palavras com um taxista. Eufórico, o motorista russo beirando os 70 anos, suando como uma chaleira, berrava “Brasil, Argentina e Espanha”. Com gestos mostrou que um desses três vai ser campeão. “Final, Brasil e Espanha. Brasil campeão”, bradou. E a Alemanha? questionei. “Non”, ele disse. E com as mãos fez top top top, sinalizando que os alemães do 7 a 1 dessa vez vão perder.

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