Filha de Cunha busca evangélicos por vaga na Câmara.
Ficha de filiação de Danielle Dytz da Cunha ao MDB foi abonada pelo filho do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.
Danielle Dytz da Cunha, filha do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chega para visitá-lo na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Foto: Rodrigo Felix Leal/Futura Press.
Danielle decidiu disputar as eleições a pedido do pai, que está inelegível até 2027 após ter o mandato cassado em setembro de 2016 por ter mentido sobre a posse de contas bancárias no exterior. Sem foro privilegiado, Cunha foi preso um mês depois da cassação por ordem do juiz federal Sérgio Moro, que condenou o emedebista posteriormente a 15 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem e evasão de divisas no âmbito da Lava Jato.
O primeiro passo para viabilizar a candidatura de Danielle foi se filiar ao mesmo partido do pai, o MDB, em 3 de outubro passado, pouco mais de seis meses após a condenação de Cunha por Moro. A ficha de filiação foi abonada pelo deputado federal Marco Antônio Cabral (MDB-RJ). Ele é filho do ex-governador Sérgio Cabral, condenado a mais de 100 anos de prisão pela Lava Jato.
Filiada, Danielle procurou apoio da Assembleia de Deus de
Madureira – que, só no Rio, tem cerca de 250 mil fiéis, segundo cálculos
não oficiais de seus integrantes. Essa foi a mesma igreja que apoiou a
eleição de seu pai em 2014. No ano seguinte foi citada em denúncia do
Ministério Público, que acusou Cunha de receber pelo menos R$ 250 mil em
propinas por intermédio da instituição religiosa.
Desde então, a publicitária passou a frequentar eventos da
igreja. No feriado de 1º de maio, por exemplo, participou da tradicional
confraternização das filiais da Assembleia de Deus de Madureira no Rio.
O evento aconteceu durante todo o dia no sítio da igreja no bairro
Campo Grande, Zona Oeste do Rio, e contou com as finais de campeonatos
internos de futebol e dança. Segundo relatos de presentes, ela se
mostrou à vontade e posou para fotos com fiéis.
‘Oficial’. Na busca por votos, Danielle conta
com um influente apoio: o do ex-deputado e bispo Manoel Ferreira (PSC),
presidente vitalício da Convenção Nacional das Assembleia de Deus no
Brasil e que comanda o Ministério de Madureira. A publicitária quer se
apresentar como a “candidata oficial” da igreja, mas tem concorrentes.
Integrante de outra ramificação da Assembleia de Deus, o deputado
Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) também busca o apoio do Ministério de
Madureira.
Com ou sem o apoio da igreja, a candidatura da filha de Cunha é
dada como certa no MDB. “Ela será candidata e será eleita”, disse ao
Estadão/Broadcast o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá
(RR). “Ela tem potencial”, aposta o deputado federal Leonardo Picciani,
presidente estadual do MDB no Rio – cujo pai, o ex-presidente da
Assembleia Legislativa do Rio Jorge Picciani (MDB), também está preso,
embora em regime domiciliar.
Picciani foi procurado recentemente por Danielle, que pediu para
disputar uma das vagas de deputada federal pela legenda. Os dois se
reuniram na sede do partido no Rio. No encontro, segundo relatos, ele
garantiu que o partido vai incluí-la na lista de candidatos. A
publicitária é um dos seis nomes que o MDB do Rio espera eleger para a
Câmara neste ano. Em 2014, foram oito, o que tornou a bancada emedebista
fluminense a maior dentro do partido na Casa.
Procurada, Danielle Cunha não quis se manifestar.

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