91% dos deputados alvo da Lava Jato disputam eleição.
Dos 55 deputados federais alvo de inquéritos e ações penais na Operação Lava Jato, 50 (o equivalente a 91% do total) vão disputar as eleições deste ano, de acordo com levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A
maior parte dos parlamentares (42) disse que disputará a reeleição;
quatro pretendem concorrer a uma vaga no Senado; dois a governos
estaduais; um ao Legislativo estadual e um à Presidência da República.
Três deputados não responderam ou estão indecisos, enquanto apenas dois
disseram que não vão ser candidatos.
Se eleitos para o Congresso,
eles mantêm foro privilegiado para serem investigados e julgados em
casos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Com o novo entendimento
firmado pelo STF, no entanto, o foro para parlamentares federais só vale
para crimes praticados no mandato e em função do exercício do cargo.
Crimes comuns ocorridos antes de assumirem seus cargos ou sem ligação
com os mandatos podem ser julgados por tribunais de primeira instância.
Nesta
terça-feira, 15, o STF julgará o primeiro político com foro na Corte no
âmbito da Lava Jato, quase dois anos após aceitar a denúncia da
Procuradoria-Geral da República. Será o caso do deputado Nelson Meurer
(PP-PR), réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é um dos
que responderam que não pretendem concorrer neste ano.
'Segurança'
Para
o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB)
Leonardo Barreto, a mudança no entendimento do STF a respeito do foro
traz mais celeridade no julgamento de crimes de corrupção. Ele citou o
mensalão, que levou cinco anos para começar a ser julgado. "Antes dessa
decisão do STF, o foro era entendido como uma coisa boa para todo mundo.
O Supremo não tinha capacidade para julgar, isso dava uma sensação de
segurança (aos investigados) muito boa", afirmou Barreto.
Desde a
mudança de entendimento do STF, no início deste mês, ao menos 68 casos
envolvendo deputados e senadores já foram enviados pela Corte para
outras instâncias da Justiça.
O líder do PSDB na Câmara, Nilson
Leitão (MT), criticou o que chamou de "indústria das denúncias" e disse
que a sigla não antecipa condenações sobre parlamentares investigados do
partido. "Independentemente da Lava Jato, cada caso é um caso. O PSDB,
com casos gritantes, sem sombra de dúvidas, tomará atitudes."
Questionado
sobre pré-candidatos petistas investigados na operação, o líder do
partido na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), afirmou que "só em um
Estado policial, investigado é tratado como culpado". Para ele, a Lava
Jato é "uma manipulação conduzida de forma seletiva em esquemas
suspeitos de toda ordem".
Partidos
Dos 50 deputados
que pretendem disputar algum cargo neste ano, 12 são filiados ao PP e
outros 12 ao PT. Na sequência, aparecem seis do PSDB e quatro do DEM.
Com
planos de concorrer à sucessão no Planalto, o presidente da Câmara,
Rodrigo Maia (DEM- RJ), é alvo de três inquéritos no Supremo sobre
supostos repasses de empreiteiras ao parlamentar. Os casos foram abertos
com base em depoimentos de colaboradores das empreiteiras Odebrecht e
OAS.
Por meio de sua assessoria, Maia afirmou "que tem prestado
todos os esclarecimentos necessários" e reiterou "que confia na
Justiça". Em entrevista ao Estado publicada no domingo, 13,
questionado sobre a Lava Jato, o presidente da Câmara disse que é
preciso "discutir não apenas a punição, mas também as condições para ter
um Estado no qual os sistemas de controle sejam mais rígidos". As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Agência Estado
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