quarta-feira, 18 de abril de 2018

GOLPE.

Dilma faz balanço de retrocessos do governo golpista após dois anos de impeachment.

  

 Dilma Rousseff se despede de militantes ao deixar o Palácio da Alvorada em 2016 após impeachment / Wilson Dias/Agência Brasil.

"Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim". Era dia 17 de abril de 2016 quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) –hoje preso por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas–, proferia seu voto a favor do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Era seu voto, e também uma sentença para o país.
O golpe que tirou a presidenta Dilma do poder acarretou uma série de retrocessos nestes últimos dois anos. Na noite de segunda-feira (16), a ex-presidente falou sobre esse processo a alunos e professores da Universidade de Berkeley, na Califórnia (Estados Unidos).
"O golpe é só um momento? Não. É um processo. O golpe começa com a minha saída em 2016 e gerou efeitos sobre as demais instituições. Vejam vocês que numa eleição se aprova um programa, e esse programa que foi aprovado na minha eleição era a continuidade da diminuição da desigualdade no Brasil, a ampliação ao acesso de serviços como educação e saúde, e os demais serviços que uma população como a brasileira nunca teve, como luz elétrica, água e várias outras, mas sobretudo educação. Nós fizemos um esforço enorme para que a população mais pobre do Brasil, que, além de pobre, é predominantemente negra, pudesse ter acesso a estudo de qualidade. É obvio que não conseguimos resolver esse problema em 13 anos, essa política teria de ser continuada", afirmou para a plateia de estudantes e acadêmicos.
Dilma disse ainda que sofreu um golpe parlamentar, midiático, com apoio do judiciário e de parte do sistema financeiro. “Na ditadura militar, a democracia é cortada com um machado. Neste golpe de 2016, a democracia foi tomada por fungos e parasitas que a corroem por dentro”, disse. A ex-presidenta lembrou que foi durante o governo Lula que se fortaleceu o Ministério Público e se deram início às grandes investigações de corrupções políticas. "O que nos leva ao quadro seguinte: não se tira presidente que se sabe que é inocente por meio de um impeachment sem ter um objetivo político em mente."
A avaliação de Dilma, dois anos depois da realização do golpe, confirma análises feitas à época sobre o que seria, e está sendo, o governo Temer: um período de submissão diplomática às potências mundiais, fragilidade das instituições, retrocesso do debate político e desmonte do aparato estatal de promoção social –pelo contrário, foram aplicadas políticas em privilégio do setor privado e do capital, causando o aprofundamento das desigualdades.





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